Ir para a Página Principal 
 Artigos Palavra da Parteira
por Ana Cristina Duarte
 
 Serviços para Profissionais Para profissionais (cursos, oficinas, consultoria)
 Serviços para Gestantes Para Gestantes (cursos, yoga, atendimento)
 Produtos Produtos
vídeos, livros,
e outros
 Eventos Histórias de Parto
relatos de mulheres especiais
 Outros Links
Cadastre-se
 
 

Relatos de Parto
Nome: Meire Shiraishi

 

***Meu parto e o troféu segura caroço.***

Hoje olhando a bagunça em que o quarto do casal se transformou eu choro de alegria: o Teo em um bercinho, o Gabriel e o Marcos se revezando entre a cama do casal e um colchão no chão, eu na cama, muitas cobertas, todos quentinhos nesses dias frios e me lembro de como tudo começou e como chegamos aqui.

Eu não sei bem que dia foi, mas já faz um tempo. Eu estava navegando na internet, encontrei um site que indicava o site das amigas do parto. Fiquei curiosa e entrei lá. Qual não foi a minha surpresa, ao ler no site que um parto normal após cesárea não era tão simples assim de se conseguir. O Gabriel havia nascido de cesárea, pelos motivos que hoje sei que são esdrúxulos, mas que na época pra mim fizeram todo o sentido e salvaram a vida dele. Ainda mais que eu havia perdido dois bebês antes dele, eu queria mais é que ele nascesse rapidinho, sem correr risco nenhum. Mas ficou uma coisa ruim do parto: não estar com ele logo após o nascimento, a dor na recuperação da cirurgia, e todas aquelas outras coisas que a gente já sabe.

Entrei na lista amigas do parto, hoje partonosso, e depois na materna_sp. Optei por ficar só na materna_sp mesmo, por pura falta de tempo de estar em todas. O assunto me interessava muito. Acompanhei vários partos com sucesso e via que todos haviam sido uma luta. Mas aí já estava claro pra mim que o parto normal seria a melhor coisa.

Dia 07/10, um Clear Blue confirmou o que eu já suspeitava: eu ia ter um bebê. Fiquei muito feliz, o Marcos também. E desde o começo eu frisei que queria um parto normal. O Marcos me falava para esperar os 3 primeiros meses, por causa do meu histórico de abortos anteriores e então falariamos no assunto. Com isso, iniciei meu pré natal com o meu antigo obstetra mesmo. Até que um dia ele disse a pérola de que a minha cicatriz da outra cesárea estava tão boa que nessa ele ia poder cortar em cima da mesma....

O Marcos não havia se convencido do parto normal. Ele achava que a cesárea era segura, pois eu já havia passado por uma com "sucesso". Isso foi fonte pra algumas discussões. Pedi pra ele ler o "Memórias de um homem de vidro", fomos ao GAMA para ele conhecer as meninas e ver que não havia nenhuma ET lá, eram todas mulheres normais. Fomos conhecer o Dr. J.. E o Marcos embarcou nessa comigo. Fiquei com o Dr. J. e não quis ir dar satisfação ao meu antigo obstetra.

O pré natal foi correndo tranquilo com o bebê e comigo. Até que fomos nos aproximando da DPP. Com 38 semanas, o Teo já estava encaixado, mas o Dr. J. deixou claro que isso não significava que ele nasceria logo. Com 39 semanas, entrei em licença maternidade. Chegaram as 40 semanas e nada. Comecei a desanimar: será que eu ia morrer na praia??? Será que o meu corpo não tá sacando que tá na hora de pôr esse bebê pra fora?

Fazia os três hots, ia ao mercado e carregava as sacolas sozinha, dirigia, carregava o Gabriel no colo e nada. 41 semanas e ainda nada. Eu tinha que fazer agora cardiotoco e ultrassom a cada 2 dias para acompanhar o bebê. Além do mobilograma. Estava ficando cansada, ainda não estava preocupada. Todo mundo me perguntava do bebê, quando ia nascer, porque esperar desse jeito. E eu comecei a achar que talvez o mundo estivesse certo e eu errada.

Dr. J. conversava comigo a respeito de como a gestação ia bem, mas eu queria saber logo quando ia acabar (quer dizer, começar o TP). E ele sempre me falava que na hora que o Teo estivesse pronto, isso aconteceria. Conversamos a respeito das possibilidades de indução e me decidi pelo descolamento de membranas. Com 41 semanas e 5 dias, um dedo (e olhe lá!) de dilatação, o dr. J. fez o procedimento. Era uma segunda feira, e se não surtisse efeito eu deveria voltar lá na quarta para verificarmos se a dilatação havia aumentado para tentar novamente.

Na quarta feira ainda não havia entrado em TP, e na consulta com o Dr. J. eu chorei. Estava com medo de estar indo longe demais e prejudicar meu filho. Dr. J. me falou: "Meire, vamos tentar de novo o descolamento. Se não der certo em 48 horas, a gente interna para indução com ocitocina. De qualquer forma, você já leva uma guia para internação. A qualquer momento que você decidir, nós podemos iniciar a indução." Acho que isso me tranquilizou ter uma data limite finalmente para ele nascer....

Na quinta feira, acordei com as contrações. Não eram as cólicas que todo mundo fala. Era uma força na altura do osso do quadril. Vinha a cada 10 ou 15 minutos, durando 45 ou 50 segundos. Bem irregulares. Mas bem incômodas (ok, eu ia ver o que era incômodo quando estivesse dilatando dos 8 até os 10 cm, mas deixa prá lá!). Liguei pra minha doula. Ela me confirmou que era TP mas não fase ativa ainda. Mandou eu ir fazer minhas coisas e se apertasse para ligar pra ela.

Fiquei o dia inteiro assim, e a noite também. Conseguia cochilar entre as contrações, até que teve uma hora que me toquei que não estava mais cochilando. Fui pro chuveiro para ver se eu não estava sonhando, mas não, elas estavam apertando mesmo. Acordei o Marcos (tinha mandado ele dormir pois ia precisar dele inteiro pro TP), pedi pra cronometrar as contrações. Estavam a cada dois minutos. Liguei pra doula, e ela sugeriu de irmos pro Einstein. Eu topei na hora. A idéia de ter que pegar um horário de rush pra chegar lá não me agradava. Quando cheguei lá, fui examinada: 4 cm, uma cardiotoco. Dr. J. foi avisado e pediu pra me internar.

E chegando na LDR, de repente, tudo foi parando.... As contrações espaçando, ficando menos fortes. A minha doula sugeriu se eu não queria voltar pra casa. Putz, a minha faxineira estava aqui, tinha a questão do trânsito, preferi ficar. Então ela teve a brilhante idéia de tentarmos homeopatia para regularizar as contrações. Eram umas gotinhas que ela me dava acho que a cada meia hora e funcionou!! As contrações foram ficando regulares e intensas. Eu chamei de homeopatia assassina, pra brincar com a minha doula, mas ela foi a minha salvação mesmo!

Dr. J. chegou, bem humorado como sempre. E as contrações apertando. Ficava bastante na banheira e no chuveiro. E a partir de um determinado momento eu já não conseguia me comunicar muito bem com o mundo externo. Muito estranho: eu tinha plena consciência de tudo ao meu redor. Mas não conseguia me comunicar com ele. Só com o Marcos, que eu mandava ficar quieto, jogar o celular fora, essas coisas básicas.

Às 18h eu estava cansada e pedi pro Dr. J. fazer um toque para a gente ver como estava: 8 cm, e a cara do Dr. J. era muito animada. "Está tudo ótimo Meire. " Com o exame a bolsa estourou.

- Dr. J., isso escorrendo foi a bolsa que estourou?
- Sim, o líquido está limpinho, pra uma gestação de mais de 42 semanas isso é ótimo!!!!
- É mas agora f****.

Eu sabia que quando a bolsa estoura as contrações apertam. E foi o que aconteceu. Elas ficaram bem próximas. Mas a minha doula me lembrava que faltava muito pouco, pra eu aguentar esse finalzinho porque a dor ia sumir. O expulsivo seria só com pressão e outras sensações. E assim foi. Gente é muito engraçado perceber no corpo essa transição. E veio a vontade de começar a fazer força. Eram 20h. Dr. J. trouxe o partograma e "sentenciou": o Teo vai nascer até as 23h. Fui pra banqueta de parto fazer força. Eu segurava na doula fazia força mas não estava dando certo.... Tomei novamente mais da homeopatia pra ver se ajudava, mas não resolveu. Fiz força, força força nada. Alguém sugeriu que eu fosse pra cama, segurar naquela barra de fazer força, e não adiantou. Dra. Andréa sugeriu que meu útero estava numa posição desfavorável para eu tentar deitar um pouco, mas eu não conseguia, doía demais. Tentei a posição de Sims e nada.

Então pára tudo. Vou pra banheira tentar relaxar um pouco, pra ver se o bebê termina de descer. Mas nada acontece. O Marcos estava do meu lado, me trouxe um chocolate que a gente tinha combinado de comer no expulsivo pra dar mais energia. Eu comi um pedaço e fiquei enjoada. Ele falava: "Meire, vc disse que queria, lembra? É pra vc ficar mais disposta." Mas eu não consegui comer. O Marcos falava no meu ouvido pra não desistir que ia ter um fim, nós já tinhamos chegado até ali, pra eu lembrar de todo o caminho que a gente tinha trilhado e do que a gente estava se livrando fazendo o parto normal. Mas nada adiantou...

Eram 23h e o Dr. J. foi lá na banheira conversar com a gente. E pela primeira vez desde que o conheço eu vi preocupação no rosto dele. Ele explicou o que estava acontecendo. O bebê não estava descendo adequadamente. Nesse meio tempo eu havia feito outra cardiotoco e o dr. J. explicou que o bebê estava começando a mostrar um pouco de cansaço. Dr. J. explica tão bem tudo que eu tive 4 contrações nesse meio tempo (hi hi hi). Mas eu fiquei preocupada também. O plano sugerido era sair da LDR ir ao centro obstétrico, fazer uma anestesia, relaxar por meia hora. Se o bebê descesse mais um centímetro, poderiamos fazer um fórceps de alívio, caso contrário, seria uma cesárea. Eu perguntei se não seria então o caso da cesárea direto, mas o dr. J. disse que ainda não. Ainda era mais seguro o fórceps do que a cesárea. E deixou eu e o Marcos a sós no banheiro para conversarmos.

Decidimos então que só esperaríamos mesmo meia hora, senão iríamos para a cesárea. E assim foi. Quando cheguei no CO o anestesista já estava me esperando. Apesar de não haver pedido, a anestesia foi na verdade um bálsamo. Eu dormi, de puro cansaço. Pra mim foi uma noite inteira, a minha doula me disse que foram uns 15-20min. Nesse tempo, Dr. J. ficou monitorando o bebê com a cardiotoco (é aquela foto que ele está apoiando a cabeça no braço - ele não está dormindo. Está concentrado!). Acordei, ou fui acordada, não sei. Fiquei com as pernas na perneira. Já era possível o fórceps. O Dr. J. explicou apenas que teriamos que ir da sala pré parto, para a sala de parto (que é do lado).

Quando chegamos na sala de parto, colocaram minhas pernas nas perneiras, a dra. Andréa foi se posicionar, e eu a vi abrindo um sorriso pro Dr. J. e dizer: "Ele tá aqui, o bebê desceu!". Ninguém acreditou! Dr. J. me mandou fazer força. Fiz duas vezes, a dra. Andréa falou, espera um pouco, não faz força agora. E eu ouvi o Teo chorar. Ele nasceu assim, facinho. Dr. J. mandou colocar sobre meu colo, ele parou de chorar na hora, foi muito emocionante mesmo! Eu tinha conseguido. Não acreditei.

O Teo teve apgar 9/10, pesou 4,060kg. E eu não fiz episio. Ele subiu comigo pro quarto e a meu pedido não foi pro berçário. Ficou no alojamento conjunto comigo. Nenhuma enfermeira acreditava quando via na minha ficha que eu tive apenas laceração. A anestesista, uma médica muito gente fina, ficou impressionada que eu quase havia parido sem anestesia. Que pena que tem que ser assim não é? Antes do parto a gente é a louca que vai "tentar" parto normal. Depois a gente é a heroína que fez o parto normal. Isso devia ser tão natural pra todo mundo. Minha recuperação está mais do que ótima. Nem se compara com a cesárea.

Aqui ficam os agradecimentos: -Ao Marcos, por entrar nessa comigo e pelo companheiro maravilhoso que é. Meu amor por ele só aumentou depois dessa jornada. -À minha doula, por mostrar o caminho, respeitar decisões, apoiar. Você é uma mulher maravilhosa e abençoada. -Ao Dr. J., por saber a exata medida da mistura da ciência com o coração. Por nos mostrar sempre as alternativas e caminhos e nos guiar. Obrigada, sem você nada seria possível. -À Dra. M., que tem uma presença maternal, que conforta e ajuda nos momentos difíceis do parto. -À Dra. A., mulher muito inteligente e sensível. Adorei conhecê- la apesar do pouco tempo que passamos juntas. -E a todas as meninas da lista: vocês com suas experiências e dificuldades me ajudaram a chegar até aqui e descobrir que era possível sim!!!!

Meire (pronta para o 2VBAC - segundo parto normal após cesárea!).

Relato do Marido: Basicamente o relato é o que a Meire escreveu... Acrescentaria somente algumas frases que marcaram esta gestação:
Durante a gestação:
De Meire:
- Você já ouviu falar sobre parto humanizado? Eu odeio cesária... - Você não quer ver estes sites? E a lista de discussão? Leia o livro. Vamos a um encontro do GAMA? - Se tivermos mais um filho, posso tentar parto normal? Quero tentar parto normal, porque bla bla bla... - Vou perguntar para a minha doula, ...Vou ver na lista,...Vou perguntar para o Dr. J. Dos nossos familiares, amigos e colegas: - Vocês são loucos...Por que vocês gostam tanto de complicar....?
Durante o TP De Meire:
- Acho que é uma contração...Tá doeeeeeeendo...
- Falta muito A.?
Da doula A.
- Lembra daquele parto...foi desse jeito... e o parto da ....
- Calma você está indo super bem...

Além das frases não posso esquecer da equipe sempre muito atenciosa explicando detalhadamente a situação e as alternativas, tudo com muita paciencia, carinho e capacitação. Após o resultado final seria fácil falar que foi bom. Mas foi quando as coisas pareciam que não seriam como sonhamos, que percebi que estava agradecido por passar por esta experiencia, que no mínimo foi divertidissima...

Leia também o parto seguinte da Meire, sem assistência.

Voltar para Lista de Relatos

 

 
Copyrights: GAMA - Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução das imagens ou do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita.
Quem Somos
Onde Estamos
Mapa do Site
Fale Conosco
GAMA - Grupo de Apoio à Maternidade Ativa - Rua Natingui, 380 - Vila Madalena - 05443-000 - São Paulo, SP
Telefones: clique aqui - E-mail: CLIQUE AQUI