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Relatos de Parto
Nome: Andrea Fangel

 

A Expectativa:

Meu trabalho de parto começou + ou - no final de 2001 que foi a época em que eu conheci o site
Amigas do Parto e li o depoimento do DR. Ricardo sobre o nascimento de um bebe de + de 5 kg.

Aquele depoimento me marcou tanto que eu escrevi para o Dr. Ricardo e percebi o quanto eu estava enganada sobre este assunto.

Li, reli, perguntei 10000000000 para Ana Cris. Ana Paula e Roxana
E o útero, rompe ou não rompe?

A preparação

Não, não rompe, o Homero não rompe, é a cabeça que tem que romper...

A gravidez da Marina foi tão linda e o pos-parto tão tranqüilo (embora uma luz vermelha piscasse ininterruptamente) que eu quis outro bebe.

Não, eu não quis outro bebe, eu quis outro parto, outra chance.

Muito tempo da minha vida eu fui estudante e a relação causa/efeito era clara para mim: estudava, nota boa para a prova, não estudava: zero! Estudando e fazendo o melhor eu nunca falhei.

Pro parto, a prepararão foi igual. Eu não ia falhar...

Santa Inocência

É eu tenho esse defeitinho de fabrica: acho tudo sempre simples e tenho sempre certeza absoluta de que as coisas dão certo no final. Coisa de sagitariana.

-HCG POSITIVO:

Eu fiz outro bebe (quero dizer, fizemos!) E os nós foram surgindo:
não este médico não, aquele também não!

E agora: um médico disse não de cara, outro apostou comigo uma caixa de cerveja de que não daria certo e o terceiro, que disse sim, estava mentindo...

A Gravidez:

Foi um tumulto. Trabalhei demais, perdi minhas aulas, apreenderam meu carro, meus pés incharam.

Os meses foram passando e eu via o mundo, redondinho, dar voltas e nos fazer voltar ao ponto de partida...

Conheci a minha doula pessoalmente e Ana Paula e o Dr. J.. Pronto tudo perfeito, cercada de carinho atenção e planos, nada podia dar errado.

Os Últimos dias:

A Lívia tinha DPP 21/09 eu sabia identificar o trabalho de parto e ele estava se aproximando. Eu estava exausta, enooooorme! Toda inchada, mas feliz porque estava próximo o dia de provar que eu era capaz...

Minha Família:

Nunca, em nenhum momento, minha família acreditou em mim. Só meu marido. Minha mãe concordava com meus argumentos, mas achava que era loucura, minha avó repetia cansativamente todas historias macabras de partos que ela conhecia.

Mas todos lá em casa me conheciam e desistiram de me importunar com palavras, mas os olhares eram horrorosos.

O médico do Pré-Natal:

Estou tão traumatizada com o médico do pré-natal que desde o parto nunca mais voltei em ginecologista algum e nem sei se vou voltar!

O Trabalho de Parto:

Sumi do consultório do médico que me atendia e passei a me comunicar apenas com a doula e o Dr. J..

No sábado de manhã, (18/09) acordei furiosa, irritadíssima, com contrações muito doloridas para serem de Braxton.

Não almocei direito e comecei a cronometrar: contrações regulares a cada 5 minutos.

Liguei para o Dr. J. e para a minha doula e descobri que eles estavam num parto demorado em SP e iam demorar para chegar na minha casa.

Fui para casa e chamei a Dorothe (anjo da guarda!) que veio com bola suíça, bolsa de água quente, óleo de massagem, e touca de cabelo.

Ah Dorothe, Obrigada!

Esperamos juntas ate umas 11 horas da noite pela chegada de uma parteira francesa, a Violene.

Ela se perdeu, bateu o carro e enfim chegou e eu cada vez mais ansiosa. Assim que chegou fez o primeiro toque: 1 dedo! Eh... as coisas tem seu tempo...

Me acalmei me concentrei e em torno da 1 hora da madrugada chegou a doula, O Dr. J., a Dra. Mesma e a Dra. Andreia.

Passei a noite toda escorada em almofadas sentada no sofá da sala e vendo as pessoas da equipe se alternarem em ficar comigo e descansar um pouco. Cochilei alguns instantes e assim que amanheceu o dia procurei comer um pouco e me movimentar.

Fui no quintal, me agachei, dancei, recebi massagens, sentei na bola por horas e +- as 11h da manhã foi feito outro toque: 4 para 5 cm!!!

A seqüência dos fatos me parece um pouco confusa (a lembrança do domin go eh toda confusa)

Lembro do chuveiro, lembro do almoço (macarronada com um cheiro insuportável de queijo ralado), me lembro de deitar de 4 na cama e da bolsa (que já tinha se rompido um pouco) fazer PLOFT e explodir aguaceira sobre minha cama. (acho que eram umas 4 da tarde).

Depois disso as dores ficaram horrorosas. Fui com a bola para o chuveiro e todos enchendo uma banheira portátil de água quente. No chuveiro, gritei, reclamei e implorei para aquilo acabar por um tempo...

Quem eh que era mesmo o dono da idéia imbecil de parir em casa?
(acho que era a transição).

Fui de novo para a banheira tremendo de frio fazer outro toque: 8 para 9 cm, bebe alto e um rebordo de colo de útero. E ai então o Dr. J. avisou que faria uma manobra: deitada, de pernas abertas na banheira e fazendo força na contração.
O pesadelo:

Foi aí que o sonho virou pesadelo, instantes após esta manobra, o médico viu sangue sair e disse no meio do zum-zum-zum que era muito sangue para ser coagulo e que iríamos para um hospital.

Eu olhei para todos e disse:
Eh piada, não eh? Eu não posso entrar num carro agora e ir para o hospital.
Mas a doula veio conversar comigo e disse que era necessário e o pior que iríamos para Campinas!

E fomos: eu e a Ana no banco de trás do carro do Dr. J. e meu marido no carro da frente (era o único que sabia o caminho) Antes de sair de casa eu havia visto o rosto do Claudio e sabia que ele estava em pânico...

Mas foi tudo bem. Foi a viagem do Inferno, mas chegamos bem para abraçar o capeta...

Nas contrações eu não podia fazer força, então grudava na mão da doula, no vidro do carro e assoprava não sei o que.

A Maternidade:

Chegamos na maternidade Campinas em torno das 19 h e da recepção vazia fui direto para a enfermagem me trocar...

Me deram o saco de vestir do Centro Cirúrgico e a enfermeira queria que eu me deitasse de costas numa maca para me depilar.

Há, Há, Há, acho que depois de rir histericamente eu gritei um bocado com a moça.... Alias eu acho que gritei e xinguei umas três ou 4 enfermeiras fora o anestesista e a coitada da Violene.

Obs: a Violene entrou comigo no cc e ficava repetindo tranqüila num portú-frances meio enrolado e eu fui grossa com a moça no mínimo umas dez X... Aqui peço desculpas publicamente...

Já na maca o Dr. J. me colocou as opções:

1º. Anestesia de emergências + fórceps ou

2º. Anestesia de emergência + cesárea.

Mas minha filha estava alta e o rebordo continuava lá de forma que foi feita a cesárea...

A anestesia funcionou como um sossega leão seguido de um balde de água fria. A doula tinha ficado na recepção e me lembro de ter perguntado por ela no mínimo 10 X.

O Claudio chegou no CC com a fantasia típica do local e eu ali amarradinha ainda tentando convencer o anestesista a soltar meus braços e o pediatra a não pingar o nitrato de prata nos olhos da pobrezinha...

A Cesárea.

Não há o que descrever...

A maternidade Paleolítica:

O bebê foi para o quarto junto comigo e a colocaram para mamar cerca de duas horas após a cirurgia (eu tinha tomado a Raqui e recebido recomendações para não levantar a cabeça) e simplesmente a largaram lá!!!

Sem acompanhante, 2 dias sem dormir e a bebezinha deitada mamando no minha cama.
Dormiu! Enfermeira, dormiu, leva pro berçário que eu preciso dormir um pouco

"agora não da, o berçário esta sendo higienizado!"

Fiquei nesta situação lastimável ate as 4 horas da manhã, quando levaram a Lívia e eu pude dormir um pouquinho...

Vou dispensa-los de todos os detalhes sórdidos, mas vi bebe tomando NAN a rodo na maternidade, mulher sendo acordada para tomar banho as 2h da matina.

As berçaristas levavam os bebes para o berçário em horários absurdos tipo: 4h, 11h, 16h, e 23h. e traziam uma ou duas horas depois. Discuti ate cansar, depois aproveitava estes horarios para dormir, tomar banho ou ver tv...

Tive leite o tempo todo e a Livia nasceu ótima com 3,950Kg e 52,5 cm. Consegui a alta um pouco antes do previsto assinando um termo de responsabilidade por a LILI sair sem fazer o teste do pezinho e terça-feira antes do almoço eu já estava em casa.

Conclusões

Demorei para fazer o relato por causa dessas tais conclusões (que não concluem nada também).

Senti culpa, ódio do mundo, mais um pouco de culpa, raiva dos médicos em geral, um pouco de raiva da lista, mais um pouco de culpa...

Fiquei semanas sem poder falar ou ouvir falar sobre parto.

Agora acho que esta cesárea, foi a conseqüência das cesáreas anteriores. A única necessária e a mais difícil de engolir.

Cheguei a dizer (logo nos primeiros dias) que este parto foi o melhor anticoncepcional que eu poderia ter tomado, pois nunca mais teria filho, só adotado...

Agora realmente sei (?) que não quero mais filhos, mas o motivo não eh o parto (afinal depois de te-los temos que cria-los não eh mesmo?).

Na verdade Deus me deu 2 filhas meninas-mulheres. Acho que quando minhas filhas forem ter seus bebes eu vou poder participar e ajuda-las a parir naturalmente e então ter um pouco do que eu nunca tive, sentir um pouco o que eu nunca vou sentir...

Obrigada!

Obrigada A. e D. (minhas doulas), vocês são dois anjos iluminados, sinto falta das duas diariamente.!!

Obrigada Violene, você foi uma das que eu mais judiei...

Obrigada Dr. J., Dra. Mesma, Dra. Andreia, sei que o trabalho de vocês em prol da humanizaçao foi o que os impulsionou a aceitar meu caso, mas não nego que também senti carinho e amizade no trabalho de vocês!

Mais do que humanizar o nascimento, eh um trabalho de procurar com uma lanterna quem precisa de ajuda e dispor de tempo, paciência e esperança num cenário cada vez melhor!!!

Últimas:

A Lívia esta cada dia melhor, completa amanhã 5 meses exclusivamente no peito e eh um doce de criança.

Quem quiser ver tem fotos dela e da Marina nas páginas dos grupos Materna, ME e Partonosso.

Andrea fangel (27 anos)
Bióloga, mãe da Marina (3 anos) e do Ariel (11 anos)e da Livia (0 mes)

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