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Relatos de Parto
Nome: Adriana Cerqueira Malteze (I)

 

Foi através da Mammy to be numa palestra sobre parto humanizado com a Ana Cris que comecei a pensar no parto e comecei a questionar minhas idéias. Até aquele momento, parto pra min não era uma coisa pra se pensar, e sim que simplesmente acontecia e que seu médico faria da forma que ele achasse melhor e que cesárea ou normal tanto fazia.. Comecei a pensar a respeito e cheguei a conclusão que se tudo corresse bem durante toda a gravidez, que eu queria trazer meu filho ao mundo da forma mais natural possível, queria participar ativamente desse momento da minha vida.

Me preparei bastante para isso, fiz ioga, fiz hidroginástica e meditação... Fiz o plano de parto e fui conversar com médico (Dr. CB), saber a opinião dele, para minha surpresa ele foi maravilhoso e concordou com tudo que optei. Falei que tinha escolhido o Albert Einstein e que queria que fosse no Labor Room e não no centro cirúrgico, ele concordou e na consulta seguinte levei a Doula para eles se conhecerem. Ficou tudo acertado. Fiz o curso de preparação pro parto com a minha doula e ao ver os vídeos de partos naturais tive mais ainda certeza de que era isso que eu queria pra mim.

Tudo foi correndo bem até que quando estava de 37 semanas tive uma pequena diminuição do liquido aminiótico e passei a ser monitorada a cada 2 dias (cardiotoco e us com dopler) ia me encontrar com o Dr. C. no Santa Catarina, para ver se estava tudo bem para que eu pudesse aguardar o trabalho de parto começar... E Graças a Deus, tava tudo correndo muito bem.

Quando estava com 39 semanas e 5 dias, era dia 05/03/2004, minha mãe estava em casa e eu dizia para ela que tava me sentindo estranha, quando foi umas 16hs ligaram dizendo que meu vô (pai da minha mãe) que estava internado já algum tempo, tinha falecido, ficamos muito triste, mas ao mesmo tempo aliviadas pois ele já estava sofrendo muito e nem reconhecia mais ninguém, Minha mãe teve que sair para ir contar pra minha vó, para meu tio e para resolvi toda a burocracia de enterro, etc... Quando ela saiu ainda disse para a minha barriga: Gabriel espera a vovó, pois quero assistir seu nascimento. Foi ela sair e comecei a sentir contrações fracas, liguei para meu marido e pedi para que ele não demorasse para chegar em casa porque estava sentindo contrações e que elas estavam ficando cada vez mais fortes. Ele chegou por voltas das 19h30.

Ligamos para meu médico que falou para que eu ficasse calma, jantasse, tomasse banho e fosse calmamente para a maternidade. Foi o que fizemos... chegando lá liguei para a Doula que contratrei e ela foi pra lá... Estava com apenas 2 cm de dilatação e as contrações começavam a ficar cada vez mais fortes e mais freqüentes... Estava calma, liguei para minha mãe e avisei que já estava na maternidade ela disse que assim que desse ela iria pra lá. Andava pelo hospital inteiro e quando vinha a contração eu agachava (cocóras) e recebia massagem da Doula ou de meu marido na região da lombar (isso ajuda muiiiiiiiiiito) Minha mãe chegou junto com minha irmã, que acabou ficando também. Sentei naquela bola que também alivia a dor. Depois que as dores ficaram fortes demais perdi totalmente a noção de tempo e só sei que quando entrei na banheira para aliviar a dor, a bolsa estourou e as dores foram totalmente infernais...e não pude mais aguentar.. pedi analgesia, queria tentar antes de apelar para a anestesia, mas foi como ter tomado água com açúcar, nada resolveu e gritei desesperada por anestesia..

Tive a infelicidade de pegar um anestesista terrível, além de chato ele não estava preparado para um parto do jeito que eu queria, estava p. da vida por ter que aplicar anestesia num quarto e que aquilo era para ser feito num centro cirúrgico, deixou cair a agulha no chão, demorou a beça para aplicar a anestesia e me deixou um tempão naquela posição terrível para quem está com um barrigão enorme. Depois de muito tempo que não sei precisar quanto, mas que para mim foi uma eternidade. Enfim, ele aplicou, mas não sei se exagerou na dose, se fez algo errado ou se eu é que sou sensível a anestesia, só sei que minha pressão caiu pra 3 por 5, comecei a ter ânsia de vomito e não conseguia respirar, além disso fiquei totalmente amortecida do peito para baixo, só mexia os braços. Cheguei a pensar que morreria. Sei lá o que fizeram, aplicaram plasil e mais alguns medicamentos, oxigênio no nariz e minha pressão foi voltando ao normal.

Depois de tudo controlado a doula teve que ir embora pois outro parto estava se iniciando e ela teve que correr pra lá e mandou outra Doula para ficar comigo a partir daí. Antes de ir ela me disse: "agora vai ser rapidinho, vc já está toda dilatada e dentro de 1h no máximo vc vai estar com seu bebê no colo" Chegou a outra doula e eu estava tranquila.

Já estava com 10 cm de dilatação e meu médico dizia que era chegada a hora de fazer força... Muito fácil vc ter que fazer força sem sentir mais da metade do seu corpo, além disso estava muito cansada. O anestesista, para ajudar ficava me enchendo o saco para que eu mantesse o oxigênio no nariz e aquele "pregador" no dedo que fica controlando os batimentos cardíacos.

Eu tinha que segurar na barra para fazer força e aquela porcaria me atrapalhava, além de não conseguir respirar direito com aquele oxigênio gelado no nariz, minha garganta já tava doendo e tava me incomodando muito. Mas enfim, fiz muita força e o bebê ameaçava sair mais voltava, todos diziam que viam o cabelinho dele, mas nada dele sair, e mais força...e foi assim por um bom tempo... até que meu médico percebeu que o bebê tinha virado e estava com o rosto pra cima... com isso o meu coccis impedia que a cabeça dele saisse.. O certo é o bebê estar com o rosto virado para o bumbum da mãe. Então tinha 2 opções: cesárea (que poderia ser tarde demais pois estava num quarto e não numa sala de cirurgia) ou fórceps de alívio.. Meu médico optou pela 2ª e teve que fazer a episiotomia... meu filho nasceu com 3,730kg 13 horas depois de iniciado trabalho de parto numa virada de lua crescente para cheia...

Embora tenha nascido grande ele não respirou nem chorou logo que saiu e estava todo roxinho, teve que ser entubado e levado as pressas para a UTI, colcocaram ele por segundos no peito para que eu pudesse ver a carinha dele antes. Como estava anestesiada não puder vê-lo em seguida e até que pudesse ir até lá, chorei compulsivamente pensando que estavam mentindo pra mim... Concluindo: ele estava ótimo, mas teve que ficar em observação alguns dias, 2 na UTI e 3 nos Cuidados Intermediários. Segundo o pediatra que é amigo da minha família e o meu médico, o hospital prendeu ele lá todo esse tempo por puro exagero e precaução o que é normal para os padrões do Einstein que é considerado uns dos melhores hospitais do mundo. Fomos para casa no dia 11/03 e hoje ele está com 7 meses pesa 10kg e tem 73 cm de altura (compatível com a média de bebês de 1 ano). É saudável e perfeito. Já levanta sozinho, engatinha e segundo meu pediatra ele tem atitudes e desenvolvimento motor de bebês de 10 meses.. Graças a Deus!!!!

O que eu penso disso tudo. Continuo achando oparto natural a forma mais correta e maravilhosa de. parir, porém, como sempre eu não acreditei em mim, não acreditei na minha capacidade de aguentara dor, não resisti e acabei pedindo anestesia. Tenho a certeza e a convicção que se eu não tivesse pedido a anestesia e tivesse aguentado ele, mesmo na posição difícil que ele estava, teria saido muito mais fácil, acho que a anestsia cabouafetandoo bebê, além de me deixar totalmente imobilizada de forma que não pude ajudar como queria acocorando, andando,etc.... Aprendi uma coisa depois conversando com a minha Doula, quando vc opta por uma intervenção, vc acaba levando o pacote completo.

Optei pela anestesia, acabei levando de brinde uma episiotomia e o uso do forceps além de ter que ficar na pior posição do mundo para parir (deitada) contrariando a lei da gravidade. Além disso é possível que a anestesia tenha feito com que a força que eu fazia não fosse suficiente, afinal 80% do meu corpo estava completamente morto. Enfim, a posição que ele tava fez com que as coisas acontecessem dessa forma. Nós mulheres precisamos começar a acreditar mais na nossa capacidade de parir sozinhas sem intervenções médicas, afinal a natureza é Divina. Se eu faria outro parto normal??? Sim, e desta vez será totalmente natural. Com tudo isso eu tive uma excelente assistência do Dr. C. (meu obstetra maravilhoso) da Doula (maravilhosa!!) e claro da minha família (meu marido, minha mãe e minha irmã) que estavam presentes o tempo todo e foram maravilhosos comigo.

Minha recuperação foi excelente, apesar da episiotomia que incomodou muito e por muito tempo.

Acreditem em vcs, meninas.

beijos

Adriana

 

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