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Relatos de Parto
Nome: Lucymara Apostolico

 

Meu nome é Lucymara, sou daquelas que acompanham todo o dia a dia da lista Materna mas nunca escreve. Pois bem, chegou a hora:

Tudo começou no dia 30 de abril de 2003 quando descobri que estava grávida, fiquei sabendo meia hora antes de uma apresentação na USP de um dos coros que rejo. Meu coração ficou acelerado do começo ao fim da apresentação, afinal, eu estava tentando engravidar e nunca mais que acontecia. Eu até tinha desencanado, estava achando melhor esperar mais um pouco... Pois é, as coisas são assim. Quando eu queria muito, não vinha, e aí quando relaxei, e até queria deixar mais pra frente, veio..... Que susto!!! Susto bom... Não demorou muito para eu me encher de felicidade. Eu e o Oscar, pai do João Pedro.

Vou tentar não me alongar muito....... Foi aí que eu comecei a ler sobre gravidez, parto e tudo que estivesse relacionado com o assunto. Logo no início já estava muito interessada em fazer o parto em casa, na verdade sempre quis, mas precisava amadurecer a idéia.... precisava saber como, com quem.

Comecei a pesquisar na internet e tive a grande sorte de ter encontrado o site das amigas do parto. Até então eu desconhecia todo o movimento pelo parto humanizado. Foi aí que eu mandei um email para esta lista pedindo informações sobre médicos, parteiras, hospitais, etc, que foi respondido com muita gentileza pela Ana Cris, a quem devo mil agradecimentos por ter me apresentado a minha parteira, pessoa maravilhosa, que acabou me auxilindo no parto, e Dr J, médico muito bacana que acompanhou também o pré-natal.

Pois bem. Durante a gravidez, que correu tranquila, fui amadurecendo a idéia do parto domiciliar. Confeço que no começo fiquei bem insegura pois para a grande maioria das pessoas para as quais eu falava que ia ter em casa, torcia o nariz, dizia que eu era louca, que eu estava arriscando a minha vida e a do bebê e mais outros tantos terrorismos. Pra completar tive que esconder da minha mãe e irmãs (uma delas, neurologista), para poder levar minha decisão até o fim, com tranquilidade, sem tumultos familiares. Foi a melhor coisa que eu fiz, disse pra elas que o parto ia ser num lugar qualquer(hospital), para confortá-las, tive em casa, e só comuniquei no dia seguinte. Minha mãe chegou até a dizer que eu tinha feito um parto "troglodita".......

Decidi, mas varias coisas ajudaram nesta decisão, principalmente o apoio do Oscar que queria muito, demais, que o parto fosse em casa; depois o fato de ter encontrado a parteira, o que me deu muita segurança; e também a gravidez que não apresentou nenhuma complicação.

O parto:

Dia 27 de novembro, depois de ter dado um ensaio na USP das 11h30 até as 13h, voltei pra casa, almocei e dei uma cochilada. Mais ou menos umas 15h20 acordei toda molhada. Como estava muito calor, pensei que estivesse suando, fui ao banheiro e vi que um líquido escorria e eu não conseguia controlar. Uma sensação estrnhissima, como se você tivesse fazendo xixi sem querer. Bom, percebi que tinha estourado a bolsa, estava na hora. Tentei localizar o Oscar na USP e ele parou a aula que estava dando e veio pra casa. Enquanto ele não chegava, providenciei uma fralda geriatrica que me ajudou a não molhar todo o lugar por onde eu passava. A essa altura já tinha ligado pra parteira para avisar, e ela me disse que agora era só esperar que eu entraria em trabalho de parto, e que ela chegaria em algumas horas.

Foi então que eu perguntei se eu podia sair de casa com a bolsa estourada. Eu queria comprar o berço que tinha visto no dia anterior, tínhamos decidido deixar ele no carrinho até ficar maior,mas mudamos de idéia. Ela disse que se eu sentisse que dava, poderia sair. Então fomos, de fralda e tudo, eu estava com um vestido que não aparecia muito, mas na verdade eu não estava nem aí, estava preocupada com outras coisas. Chegamos na loja e ela havia acabado de fechar, foi então que o Oscar começou a bater na porta e pedir para entrar, entramos e ainda demoramos para decidir qual berço. Enquanto isso eu ia perdendo líquido, uma sensação horrivel, tava saindo muito. A mulher da loja estava desesperada, achando que ia nascer alí no estabelecimento dela. Que nada!

Entrei em trabalho de parto às 20h20, mais ou menos. Começaram as contrações que eram doloridas, mas suportáveis, e eu pensava comigo - "Se a dor de parto, contração for essa, é bem suportável" - Mal sabia eu que o pior estava por vir, as contrações foram aumentando, ficando mais e mais doloridas, eu já estava começando a ver estrelas, e como doíam!!!! Cheguei a pensar que ia morrer. Que exagero né? Mas a dor estava bem perto do insuportável.

A parteira chegou em casa às 22h, quando as contrações estavam ficando mais intensas e frequentes. Durante o período de dor eu ia andando pela casa, entrava no chuveiro, o Oscar e a parteira iam fazendo massagem nas costas. Depois de muito sofrimento com as dores, 1h da manhã e eu tinha dilatado muito pouco, 1 ou 2 cm. Eu não acreditava que tinha sofrido tudo que sofri, pra ter dilatado tão pouco, comecei a pensar umas besteiras, como - "Será que eu sou um desses casos de mulher que não dilata? nunca tinha acreditado nisso" - As contrações continuavam, a parteira dizia que eu estava muito tensa. Foi aí que eu espantei todos os fantasmas da minha cabeça, e tentei relaxar ao maximo que conseguia, mesmo com toda a dor.

O Oscar também começou a relaxar e ficou mais forte. Pegou um óleo que ele tinha em casa e fez uma massagem nas minhas costas que foi milagrosa, esquentou até a minha alma. Nem sabia que ele sabia fazer massagem assim. Pois é, foi mágico! funcionou, eu dilatei rapidinho. (Acredito que se estivesse num hospital com um médico desses que tem por aí, eu teria virado uma cesária com certeza, seria mais uma mulher dizendo por aí que foi cesária porque não dilatava. Existe mesmo mulher que não dilata?) João Pedro nasceu às 3h18 do dia 28 de novembro, no chão, ao lado da minha cama. Sem dúvida o momento mais emocionante da minha vida, ver o cabelinho dele, com a cabecinha quase pra fora, depois, depois ele inteiro, o choro e ele nos meus braços.

Trabalho de parto mesmo! Bota trabalho nisso!!!! Faria tudo outra vez. Em casa, com as pessoas que eu escolhi, do jeito que eu quis. Obrigada Oscar, minha parteira (agora, amiga pra vida toda - e guenta!). Valeu JK e Ana Cris!!!

Beijos

Lucymara, Oscar e João Pedro (que nasceu com 3470 Kg e 52 cm)

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