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por Ana Cristina Duarte
 
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Relatos de Parto
Nome: Andréia Gebrael Sobreira

 

Relato do parto do Leonardo

Dia 27 de fevereiro de 2005... Eu tinha prometido para mim mesma que não iria fazer outro teste de gravidez antes do próximo atraso, mas eu tinha sentido tanto enjoô no dia anterior... Positivo

Começamos o pré-natal no dia 02 de março. Estávamos felizes e apreensivos ao mesmo tempo. Esta gravidez tinha sido planejada, mas será que daríamos conta de cuidar de dois?

A gravidez foi super tranqüila, eu me sentia bem, um pouco cansada, mas muito bem. Levamos o Matheus em algumas consultas de pré-natal e exames de ultra-som, ele logo entendeu que iria ganhar um irmãozinho e ficou muito feliz. Não via a hora de pegar o bb no colo. Sempre que falávamos do bb, ele beijava minha barriga.

Dia 18 de setembro, depois de namorar um pouco, senti uma dor muito forte e muita pressão, quase uma vontade de empurrar. O Marcelo me levou para o chuveiro, onde era mais confortável, mas a dor era tanta que não tinha como não gritar.

Na consulta seguinte, a médica verificou que eu estava com 2 cm de dilatação.

Na semana seguinte, me senti muito mal, cansada com dores fortes nas costas e sem qualquer disposição. Como eu queria que o Leo nascesse logo... Sentia contrações fracas mas que vinham em intervalos regulares, mas duravam só algumas horas, depois paravam.

O Leo se virava muito na minha barriga, cada dia estava com as costas para um lado.

Dia 29 foi meu último dia de trabalho, eu não queria para de trabalhar, mas depois tive que concordar que foi melhor, com o descanso eu era outra, muito mais disposta e animada.

No dia 03 de outubro, já era meia noite quando eu reparei que estava com contrações. As 2h30 da manhã elas ainda estavam lá, de 5 em 5 minutos, doloridas, mas não muito fortes. Acordei o Marcelo e pedi para ele encher a banheira. As contrações pararam... Não sei se fiquei aliviada (pois o Leo ainda precisava engordar um pouco) ou chateada porque ele ainda não ia nascer.

No dia 5 eu tinha outra consulta. Já tinha combinado com a minha doula para ela ir também e conhecer a minha médica. A dilatação já estava em 3 cm e a Dra. Mônica e a minha doula pareciam ter se dado bem. Combinamos que quando fosse a hora, nos encontraríamos todas na maternidade, pois elas achavam que seria um TP bem rápido.

Naquela noite o tampão saiu.

Acordei no dia 7 me sentindo diferente, a barriga estava tão pesada que não dava para andar sem segurá-la. Fiquei preocupada com as calcinhas da mala da maternidade, mandei um e-mail para a lista, pensei em sair à tarde para comprar, mas estava tão cansada que preferi dormir um pouco.

Eram umas seis horas da tarde quando senti um ploft (igualzinho a quando a gente está menstruada, sentada e levanta e todo o fluxo desce de uma vez), outro ploft, mais outro... Pus a mão entre as pernas e falei para o Marcelo "Acho que a bolsa estourou...".

Liguei para a médica "vai para a maternidade, mas pode ir com calma" e liguei para a doula "é uma ruptura alta, espera as contrações começarem para ir para a maternidade".

Nisso minha mãe chegou e ficou apavorada, queria sair imediatamente. Sexta-feira, seis horas da tarde, a gente não ia chegar em lugar nenhum. Chega a minha irmã Fernanda. Elas não sabiam que a bolsa tinha rompido, passaram em casa para visitar o Matheus. Imagina a confusão.

A pessoa mais calma na casa era eu. Eu e o Marcelo conversamos e decidimos ir para a maternidade por volta das oito da noite. Cheguei a pensar em ficar em casa esperando, mas fiquei com medo do TP começar, e com tanto alarme falso que tive, de ser tudo muito rápido e não dar tempo nem da minha doula chegar (ela estava em outro parto). Nem falei para ninguém dessa vontade, o Marcelo já estava começando a ficar preocupado e eu sabia que seria melhor se fossemos todos com calma para a maternidade.

No meio do caminho a minha médica me liga, avisando que não tinha nenhuma LDR disponível no Einstein, mas a sala de parto do São Luiz estava livre. Optamos em ir para o São Luiz, até porque era onde meu padrasto estava internado.

Enquanto esperava o exame de admissão, o Marcelo foi cuidar dos papéis da internação. Por acaso escutei o atendente dizendo que só pode entrar o pai no parto. Mandei parar tudo, se não pudesse entrar todo mundo comigo eu não iria ficar. Eles dizem que não tem jeito, que é uma pessoa só. "Então eu vou embora". Não me deixaram sair sem fazer uma cardiotoco e um exame antes. Sem contrações, sem alteração na dilatação.

Logo após o exame, enquanto a enfermeira estava ligando para a minha médica, eu senti uma contração muito forte, acompanhada de muita dor nas costas. Não conseguia mais conversar, devolvi o telefone para a enfermeira e me apoiei na mesa. "Pronto vai começar". Não conseguia mais pensar, como doía. O Marcelo perguntou se podíamos ficar, eu só tive forças para concordar com a cabeça. A dor passou e não tive mais contrações.

Subimos todos (eu, o Marcelo, Matheus, minha mãe, minhas irmãs e meus sogros) para a sala de parto. Chegando lá, a obstetriz responsável disse que não estava sabendo de nada sobre não poder ficar quem eu quisesse na sala de parto. Que podia ficar todo mundo, que ela se responsabilizaria.

Assim que a Dra. Mônica e a Dra. Luciana chegaram, nós conversamos e resolvemos começar a indução, pois não havia ocorrido nenhuma modificação na dilatação. Pedi a elas que esperassem o Matheus dormir para que ele não me visse no soro (ele associa soro a estar doente e não queria que ele fizesse essa associação com o nascimento do irmão).

A minha doula chegou. O Marcelo sai para jantar e depois ficar com meu padrasto.

O clima era de festa, estavam todos comigo, não paramos de tirar fotos.

Aproveitei que estava tudo calmo para tomar um lanche, pois o Leo estava muito quietinho na minha barriga.

Logo começam as contrações, quase indolores, de 2 em 2 minutos, mas acompanhadas de fortes dores nas costas. A Dra. Mônica me examinou e notou que o Leo tinha mudado de lado, estava agora com as costas para a esquerda, o que deve ter causado aquela dor toda na admissão.

A minha doula faz uma massagem deliciosa nas minhas costas. Mas quando parou a massagem as dores continuaram e agora com muito enjôo. Recebi uma injeção de plasil e buscopam. Relaxou tanto que aproveitei para cochilar um pouco.

O Marcelo volta para ficar comigo.

As contrações ainda estavam sem ritmo, pouco eficientes, mas as minhas costas doíam muito. Vou para o chuveiro, saio para um exame, volto, saio e volto, agora com a bola.

Nesse tempo todo, as médicas aumentaram a dose da ocitocina, mas nem a dilatação aumentou nem as contrações ficaram mais ritmadas. O Leo estava bem quietinho e os cardiotocos não indicavam nenhuma oscilação na freqüência cardíaca dele, nem mesmo após o lanche ou as injeções de glicose.

A essa hora eu já estava tão cansada que não tinha ânimo para nada, só queria saber de ficar deitada na cama. Sabia que já era para ter acontecido alguma coisa, que as contrações já deviam ter começado.

Cada minuto que passava e as contrações não vinham eu ficava mais angustiada. Eu sabia que não era para ser daquele jeito. Rezei bastante, pedindo para que o TP começasse de verdade. O Marcelo estava do meu lado.

Por volta das 6h30, a Dra. Mônica vem conversar comigo. Ela não podia ficar me dando ocitocina naquela dosagem por muito mais tempo, e se a situação não se alterasse até as 7h00 nós teríamos que pensar em uma cesariana, até mesmo pelo bem estar do Leo. Ela me pede para conversar com o Marcelo.

Comecei a chorar, eu não queria uma cesariana. Só pensava que ia ficar 1 mês de molho, sem poder pegar o Matheus no colo, como as coisas seriam difíceis. Eu queria tanto outro parto normal e tinha planejado tanto este.

O Marcelo fica ao meu lado... A minha doula vai dormir um pouco.

Eu estava tão angustiada que já não agüentava ficar na sala. Peço para ir caminhar um pouco.Aos poucos as contrações vão começando, ficando mais fortes e doloridas.

O Marcelo vem ficar comigo, continuamos a passear pelos corredores. Agora já são três contrações a cada volta e tenho que parar e me curvar a cada contração.

Encontramos os médicos, eles gostam das contrações. Continuamos a caminhar. A dor já estava muito forte, mas era preciso que o TP estive bem estabelecido para que a anestesia não interferisse.

As 7h15 nós voltamos para a sala, as contrações estão muito fortes. A Dra. Mônica me examina e verifica que a dilatação já estava em 5 cm e o Leo tinha descido. O TP finalmente começou. O Marcelo liga para os quartos chamando minha mãe e a Fê. A Lú já tinha acordado e estava com todo o equipamento fotográfico a postos. Todos estão agitados, a sala volta a ficar alegre e festiva novamente.

A doula me ajuda a respirar e relaxar durante as contrações. Mas elas ficam cada vez mais forte e é difícil até respirar. A doula sugere a anestesia, eu mais do que concordo.

Recebo a anestesia e a equipe da sala começa a montar a mesa numa posição bem sentada, quase de cócoras.

A anestesia é bem leve e demora a fazer efeito, e conforme o bb vai descendo ele pressiona um nervo que faz doer muito a minha coxa. Eu imploro por mais anestesia, o Dr. Ricardo me explica que demora um pouco a fazer efeito, que ele não pode fazer uma anestesia muito forte senão eu não vou conseguir empurrar. A minha doula faz massagem na minha coxa, mas a dor é muito forte.

Eu não agüento de dor e começo a gritar, a cada contração eu aperto a mão das pessoas que estão ao meu lado. Vejo o Marcelo no fundo da sala, fico muito feliz que ele ficou o tempo todo comigo, mas vejo também o quanto ele sofre comigo a cada grito de dor.

Eu sei que minha mãe e minhas irmãs estão lá também, mas não sei dizer aonde.

Doía tanto, era quase como se eu não estivesse lá, como se eu estivesse vendo uma cena. Nos intervalos entre as contrações eu queria dormir de tão cansada, e durante as contrações eu pensava "porque esse pessoal não cala a boca, será que ninguém consegue ver que eu estou com dor", mas só conseguia gritar.

Logo a dilatação está completa e eu posso começar a empurrar.

Alguém lembra de desligar a luz da sala, ligar as estrelinhas do teto e a música que eu havia escolhido. O Dr. Ricardo me ajuda a respirar e empurrar, me pedindo para fazer força contra a mão que ele apóia sobre a minha barriga. A doula segura um espelho para que eu possa ver o nascimento.

Durante uma contração eu consigo ver a cabecinha do Leo descendo, faço toda a força do mundo, mas ele sobe de novo. As médicas optam pelo fórceps de alívio, fazem a episiotomia (essa parte eu prefiro não olhar). Empurro mais uma vez, com toda a força que ainda tenho e sinto ele nascer. É uma sensação única, maravilhosa, é um escorregar, mas que não se compara a nada nesse mundo. E a dor passa, é como se nunca tivesse acontecido.

Logo ele chora e é colocado no meu colo. Todo sujo de vérnix.

É como se todo o resto da sala sumisse. Só existem eu, o Marcelo (que não sei quando apareceu do meu lado) e nosso filhinho.

Ele fica um tempão conosco. Mas eu estava tão cansada que tinha medo de deixá-lo cair.

Minha mãe corta o cordão umbilical e eu peço para a pediatra examiná-lo, quero que tenham certeza que ele está ótimo.

Ele volta para meu colo. A doula me ajuda a colocá-lo para mamar, mas ele não quer.

Peço para que levem-no para o bercinho, pois começo a me sentir muito mal. Minha pressão tinha caído. Minha mãe e as enfermeiras ficam com o Leo enquanto o Marcelo fica comigo.

Logo estou melhor e tiramos a foto com a equipe toda.

E logo vou para o quarto (que bom não ter que passar pela sala de recuperação).

Depois de 12 horas na sala de parto, estamos todos muito cansados. Minhas irmãs vão para casa, minha mãe vai tratar da alta do meu padrasto e eu e o Marcelo aproveitamos para descansar um pouco antes do Leo voltar para o quarto.

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