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Relatos de Parto
Nome: Éllade França

 

Relato do Parto da Gabriela
por Ellade

Eu sempre tive uma visão muito positiva do parto, minha bisavó era parteira (assistiu a 72 partos na aldeia dela) em Portugal e minha mãe teve as quatro filhas de parto normal hospitalar (sem anestesia e nós íamos para o colo dela em seguida... mas com posição frango e episio). Ela sempre nos contou sobre os nossos partos de uma maneira muito orgulhosa... e eu sempre tive certeza que comigo seria assim também :o))

Em Nov/03, num curso de Renascimento (que enfatiza muito a importância de um nascimento suave para o bebê e a mãe) um querido amigo me indicou o site Amigas do Parto e daí para as listas Partonosso, Materna_SP e Invitare, foi um pulo. Nossa intenção sempre foi proporcionar um parto humanizado para nossos filhos, mas eu não sabia que era possível um parto domiciliar com segurança. Confesso que fiquei surpresa ao descobrir quantas cesáreas desnecessárias eram realizadas nesse país e comecei minha busca por profissionais.

A cada mensagem postada nessas listas (que li TODAS desde o começo) fui descobrindo que podíamos ir além do parto humanizado, podíamos ter nossos filhos na nossa própria casa, no nosso cantinho, tranqüilo, cheio de paz, amor e harmonia! Pesquisei todas as possibilidades e riscos e já tinha me decidido pelo parto domiciliar antes mesmo de engravidar. Vai aqui um agradecimento muito especial pelas mensagens da AC, Dr. J, Dra. Ana Paula, Ingrid, Dr. Ricardo, Socorro Moreira, Waleska, Ciça, Débora, Márcinha... e todas as grandes mulheres que participam dessas listas maravilhosas ! Vocês foram minhas inspirações e me proporcionaram a base para toda a confiança que fui adquirindo durante toda a gravidez.

Então, começamos a planejar nosso baby, parei de tomar pílula e continuamos a evitar para meu corpo voltar no seu próprio ritmo. Eu achava que demoraria a engravidar (por causa do histórico familiar), mas essa menina não estava querendo saber de esperar... e veio logo no primeiro mês que liberamos !

Fui uma grávida “sem graça”, segundo o Alexandre, por que não tive enjôos, ou azias, ou sono, ou desejos... nada, nada... eu só sabia que estava grávida por que a barriga começou a crescer :o)) Apenas uma falta de apetite, que descobri ser puramente psicossomática, porque assim que o Alexandre concordou com o parto domiciliar voltou como “mágica” o meu apetite... hehehehehehe. Tenho que admitir que não foi fácil, levei 4 meses para convencê-lo (tá certo, tive a ajudinha do Dr. J).

Uma coisa muito importante... que a Socorro me disse... “quando vc estiver REALMENTE convencida desse tipo de parto, ele te apoiará... tenha certeza !” E foi isso mesmo... precisava acreditar de coração ! Foi quando percebi que quando contava para as pessoas que teria parto domiciliar eu dizia... “se der tudo certo...”. Isso não estava me fazendo bem... e comecei a dizer “Ela vai nascer em casa!!!” e a partir do 5º mês esse foi meu discurso... tinha plena certeza que tudo daria certo. Não fiz visita à maternidade alguma, tão pouco fiz a mala da maternidade... não tive vontade... e não fiz !

Só fizemos uma US para saber o sexo com 20 semanas... todos os meus exames estavam normais... engordei apenas 11 kgs (tenho 1,71m... nem pareceu tanto). Assim que entramos na 37ª semana comprei tudo que seria necessário para o parto em casa. Estava segura de que ela poderia vir a qualquer momento e estava muito bem... achava que ela nasceria depois da DPP (10/05). Mas não contava que daria tão certo meu ritual de “pode vir” que realizamos no fim de semana :o)) hahahahahaha.

Segunda-feira 02/Mai/05
As 8:00hs comecei a sentir as contrações, mas tinha certeza que eram pródomos, estavam bem fraquinhas e nada ritmadas. Saí para fazer as últimas comprinhas. Deixei o Alexandre no escritório (até aí, não tinha contado nada a ele), fui no meu trabalho deixar um documento, na seguradora e ainda em duas lojas de bebê. Cheguei em casa as 11:30h, as contrações continuavam, liguei para o Dr. J, ele disse para continuar a vida normal e ligar se as coisas apertassem. O Alexandre também estava tranqüilo, então fui buscá-lo e ainda o convenci de irmos a uma loja de móveis comprar uma cadeira (hic)... eu só tinha que dar uma “paradinha” no meio da loja quando vinham as contrações...

Ás 22:00h começou a sair o meu tampão (sim, ele existe !) e ficou saindo durante todo o TP.

Tentei dormir e descansar (conforme recomendação da AC), mas quando deitava as contrações ficavam mais doloridas, então tirei “cochilos” entre as contrações, sentada no sofá, a noite inteira.

Terça-feira 03/Mai/05
Estava cansada e irritada por não ter dormido, o Alexandre não foi trabalhar e ligamos para a AC... ela chegou por volta das 10:00h e fiquei então, mais tranqüila :o)) Já era trabalho de parto, fase latente. Estávamos todos tranqüilos... esperando engrenar. O Alexandre fez um macarrão pro almoço (eu adoro o molho que ele faz)... teve até foto divulgada na lista... heheheh, mas infelizmente não consegui comer... só queria saber de líquidos.

Ás 15:00h a AC fez uma avaliação e eu estava com 3 cm... ainda iria demorar. Ela foi até a USP fazer uma prova e pediu a Dra. A. para ficar comigo. Aproveitei, tomei um banho bem quente e demorado, e depois tentei descansar.

Ás 16:15h nova avaliação... 8cm de dilatação, mas a Gabi ainda estava muito alta ! O Dr. J veio correndo... a equipe estava completa as 17:30h.

Eu estava muito tranqüila... nem parecia 8cm, as contrações estavam de 5 em 5 minutos. Ficávamos conversando e rindo entras as contrações e quando vinha uma onda eu acocorava ou sentava na bola, respirava devagar e relaxava o corpo (se bem que ou eu lembrava de relaxar ou lembrava de respirar... hahahaha). Eu sentia a necessidade de me concentrar, fechar os olhos e prestar atenção no meu corpo. Depois, era como se nada estivesse acontecendo. A AC fazia massagem na minha lombar... era um bálsamo... nem tanto pela massagem, muito mais por eu saber que ela estava ali, me apoiando :o)) O Alexandre sempre comigo, me lembrava de respirar devagar.

Ás 20:00h comecei a ficar irritada... mandei o Alexandre desligar a câmera (senão ia voar câmera e operador do 8º andar)... tomei banho. Isso fazia as contrações ficarem mais espaçadas... mas ficavam mais intensas.

Fiquei assim até as 21:00h, quando resolvemos fazer uma nova avaliação... 9cm... Gabi ainda alta... e adivinhem... a bolsa estourou no exame !!! Nessa hora eu só perguntava “que cor que tá??? que cor que tá ???”. O líquido estava clarinho, ufa ! E tive que permanecer deitada para avaliarem a Gabi (ui!). Tudo continuava bem.

Contrações deitada e exames de toque são as únicas coisa que realmente “doem” durante o trabalho de parto :o(

Bom, aí “o bicho começou a pegar”... as contrações ficaram de 3 em 3 minutos e muito mais fortes. Nessa hora eu já deveria ter “ido” para a Partolândia, mas continuava em terra firme. Não consegui desligar meu “racional” e o tempo todo ficava pensando que “precisava fazer alguma coisa”. Tenho certeza, que isso, fez com que o processo final demorasse 5 horas. De qualquer maneira, perdi a noção do tempo. Falei pra AC que precisava fazer alguma coisa, e ela só dizia: “experimenta então não fazer nada!”
Mais um exame... 10cm... o colo estava com rebordo e a Dra. A. teve que retirar para a Gabi passar. Doeu muito... eu só pedia pra ela parar !

Fui novamente para o chuveiro, sentada na cadeira de parto A Ana ficou comigo. Comecei a fazer força... mas não sabia se era “eu” ou se eram os tais “puxos involuntários”, então a Ana me pediu para “não fazer” e consegui. Fiquei frustrada por perceber que não eram involuntários ainda... comecei a chorar... queria que acabasse logo... estava cansada. Chorei bastante durante toda a transição... isso me aliviava.

Quando sai do banheiro, a equipe tinha colocado vários materiais em cima da mesa... bateu a paranóia “o que eles vão fazer ?” Ficava perguntando pro Alexandre... que com toda a calma do mundo, dizia que não era nada, era apenas os materiais normais... e era mesmo :o))

Nessa hora ele me disse: - “Vc confia em mim ?”
E eu disse - “Sim”.
E ele - “Então, estamos juntos nisso, amor... vai dar tudo certo e vamos até o final juntos!”

Isso foi essencial para eu continuar centrada no que viria depois.
A Gabi estava girando muito devagar para descer... então... “se não gira o bebê... gira a mãe”. Fiquei na posição de Sims e comecei a fazer força. Caramba... deitada (dói) e fazendo força puxando a perna... bateu a hora do desespero. Dei dois gritos de cara no travesseiro: “eu não agüento maiiiiiissssss”, isso me aliviava. Mas posso dizer, com toda a certeza, que não era dor; em nenhum momento se quer pensei em pedir analgesia ou transferência... eu só estava cansada, muito cansada.
Perguntava a toda hora: “vcs já estão vendo o cabelinho ????”. E mesmo estando no plano de parto que queria compressas quentes no períneo, na hora não quis, de jeito nenhum.

Quarta-feira 04/Mai/05
O Alexandre disse que eu olhava pra ele como um rosto “sobrenatural”, que ele nunca vai esquecer. Era um olhar profundo, olhos nos olhos, como um pedido de ajuda. Só posso dizer que foi essencial ele estar ao meu lado, calmo, tranqüilo e paciente :o))
Então a AC disse para ir para a cadeira, que agora faltava pouco. A cadeira foi colocada ao lado da cama, no quarto. Assim que sentei e vi, após algumas contrações, o cabelinho dela pelo espelho... ufa... me deu um alívio tão grande... voltei totalmente da partolândia, nada mais doía, e ela foi descendo bem devagar... eu esperava as contrações para fazer força e fazia carinho no cabelinho dela. Uma coisa mágica !!!

O Dr. J disse: - “Não tenha medo”
E eu disse: - “Mas eu não estou com medo ! :o)” ...e não estava mesmo... tinha certeza que não teria lacerações, e mesmo que tivesse... costura-se ora bolas :o)

Então, após uma contração, força e circulo de fogo... o tempo parou... às 02:05... nasceu nossa princesa... e eu falei: Saiu, saiu... ela deu um choro forte, nas mãos da AC que soltava o cordão do pescocinho e em seguida para as minhas mãos e meu colo. Só deu mais alguns gemidinhos, depois calminha a gente ficou se namorando, se olhando nos olhos... depois no colo do pai... parecia que ela estava hipnotizada por ele... apaixonada mesmo :o)) Essa é outra imagem que ele diz que nunca vai esquecer :o)

Perdi mais sangue do que deveria, tomei uma injeção de ocitocina (que nem senti) e ficamos esperando a placenta sair naturalmente. Infelizmente, isso não aconteceu e tive que fazer mais força e o Dr. J massageou e tracionou a saída... apaguei e quando voltei a placenta já tinha saído... inteira. Tive uma pequena laceração, que não precisou de pontos.

Não achei tão punk assim, na verdade nem lembro direito da tal “dor”... eram ondas que vinham e iam embora, levando todo o desconforto. Eu não tinha expectativas... só queria que tudo desse certo... E foi tudo muito lindo ! Nossa princesa chegou no nosso cantinho, num ambiente repleto de paz, amor e harmonia.

E claro que essa equipe maravilhosa foi importantíssima: Dr. J, Dra A.... obrigada por toda a paciência, apoio e carinho. E por intervir apenas quando necessário.

A AC (nossa baby catcher!) por ficar ao meu lado durante todos os momentos, foi muito especial ! Adorei o pequeno relato (Nasceu Gabriela – detalhes)... ficará guardado pra sempre !

E ao meu maridão... que foi show de bola !!! Eu amo esse cara cada dia mais... principalmente pela nossa filha linda, que é nosso presente precioso !!!

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